terça-feira, 31 de março de 2009

Jogos a Granel

A nova geração de consolas está ligada ao online. Além dos jogos tradicionais, cada máquina permite fazer download de demonstrações, imagens, vídeos e até jogos completos.

A onda retro que invade o mundo dos videojogos tem origem neste serviço de downloads. As produtoras não só lançam os jogos novos a 60 euros, como se dedicam a recuperar velhos clássicos por cinco ou dez euros no serviço online das consolas.

PlayStation 3, Xbox 360 e Wii dispõem de um serviço grátis que permite frequentar a loja virtual, sendo necessário usar dinheiro real para os descarregar. Além de possibilitar às novas gerações desfrutar das pérolas de outros tempos, estes serviços permitem a criação de jogos mais pequenos, para um público mais segmentado, mas também são - no caso mais particular da Xbox 360 - uma rampa de lançamento para as novas produtoras.

A gigante Capcom, enquanto trabalhava arduamente no novo Resident Evil, optou por lançar Mega Man 9, a sequela dos seus jogos clássicos, com gráficos e jogabilidade exactamente iguais ao que era usado nesses “joguinhos” de 20 anos que estrearam a série de 8 bits, na NES. Numa das jogadas mais arriscadas da empresa, a Capcom criou um dos maiores sucessos de downloads do ano passado; desde más animações, a defeitos no som, tudo simula o ambiente dos jogos dos anos 80. Mas nem só de retro se fazem os jogos para download: as produtoras independentes florescem no mundo virtual.

Braid na Xbox 360, Flower na PS3 e World of Goo na Wii são bandeiras de um serviço cada vez mais próspero. Os utilizadores falam da glória de outros tempos, e de jogos que não se subordinam aos interesses económicos, lutando pela sua individualidade e dando ao jogador muito mais do que mais uma sequela. Os dois primeiros títulos, apelidados de arte videojogável, não impressionam pelos seus visuais, mas pela qualidade artística.

Além destes títulos low-budget, nos serviços das consolas existe DLC (downloadable content), que representam uma grande fatia no negocio. DLC é tudo o que se acrescenta a uma jogo completo, ou seja, novas armas, carros, personagens ou níveis. No caso particular de Grand Theft Auto IV, um dos jogos do ano passado, a Xbox 360 tem em exclusivo uma história completamente nova, The Lost and the Damned, com um novo protagonista; algo nunca visto em consolas, até agora. No PC, este tipo de serviços já existia, nomeadamente o Steam - site da Valve que possibilita a compra de jogos sem suporte físico -, mas os relatórios da Microsoft, mostram que entre os seus 17 milhões de membros já se fizeram mais de 50 milhões de downloads no serviço Xbox Live Marketplace desde a sua abertura; um sucesso estrondoso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Fúria de Leão

Como já devem ter percebido, ao contrário da maioria da população portuguesa, não passei a noite de sábado a ver a Final da Taça da Liga, entre o Sporting e o Benfica.

Aparentemente, enquanto eu completava a derradeira jornada de Solid Snake, um certo árbitro de futebol chamado Lucílio Baptista marcava uma injustamente uma grande penalidade contra o Sporting, clube da liga com que mais simpatizo, apesar de no geral não ser grande amante de futebol.

Não preciso de vos falar das repercussões e contornos deste acto tão badalado, mas quero partilhar com vocês a história de João José Marques Eleutério, fervoroso sportinguista, e mensageiro de Deus.

Segundo a Lusa, o padre de Lisboa anunciou que não baptizaria crianças com o nome “Lucílio”, quem sabe por medo que também eles sejam enviados do demónio, existindo apenas para enganar e fazer malandrices ao Sporting.

“Aproveito para vos anunciar que, enquanto for responsável por esta paróquia, não faço intenções de baptizar nenhum menino chamado Lucílio. Queiram dispor para tais propósitos dos serviços de uma paróquia vizinha”, anunciou domingo, o padre Eleutério antes do tradicional “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”.

Apressando-se a retirar o que disse, o padre afirmou à Lusa: “É verdade que sou sportinguista desde sempre e que falei, durante a missa, do resultado vergonhoso entre o Benfica e o Sporting; foi uma brincadeira e os paroquianos já sabem que eu gosto do Sporting e gosto de fazer piadas”. O sacerdote garantiu ainda que nenhuma criança ficará por baptizar: “se não for eu, será outro sacerdote”.

Deixo aqui o meu apreço por este pároco! Precisamos de mais pessoas assim, a revoltarem-se publicamente contra as injustiças do mundo! Aliás, basta ver o vermelho nas camisolas do Benfica para saber que esse é o clube de Satanás!

Palavra do Senhor!

quinta-feira, 26 de março de 2009

In Memory of a True Patriot

Sábado à noite tive o prazer de finalmente completar aquele que considero um dos, senão o, melhor jogo que alguma vez joguei: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots.

O jogo que me fez comprar a PlayStation 3 revelou-se muito superior ao que até eu, fã incondicional da série criada por Hideo Kojima, esperava.

Desta vez, Solid Snake, o verdadeiro protagonista da série, volta depois da ausência em Metal Gear Solid 3: Snake Eater e Metal Gear Solid: Portable Ops. Envelhecido precocemente e fragilizado pela sua condição de clone, Snake é agora um velho soldado afastado da linha de combate, e referido apenas como Old Snake.

Embarcando numa última missão para matar Liquid Ocelot (Liquid Snake no corpo de Revolver Ocelot), Snake terá de suportar o peso dos seus pecados, dos pecados das gerações anteriores, e do seu corpo prestes a falhar.

A epopeia criada por Kojima é toda ela inacreditável, com uma história que ata todas as pontas soltas que os outros jogos deixaram, e que recupera todas as personagens vivas para aquele que será o derradeiro momento da vida de todos. É uma viagem difícil, não por o jogo ser excessivamente complicado, mas porque sabemos que é a última missão de Snake, porque o próprio menu nos oferece uma visão de suicídio, porque a cada momento, a cada novo desenvolvimento, Snake é puxado cada vez mais até ao seu limite físico e psicológico. Apesar de ser muito bom ver Liquid, Ocelot, Raiden, Otacon, Meryl, Naomi, Campbell, Rose, Mei-Ling e Vamp juntos de novo, é impossível não verter (muitas) lágrimas quando tudo acabar e os créditos começarem a rolar...

Não me quero alargar, para não falar demais, mas desde o gameplay, aos gráficos, passando pela história, música e ambiente, tudo se conjuga para criar uma obra de arte videojogável digna desse nome. O mestre Kojima volta a ser responsável por uma obra-prima que só podia ser saída da sua mente genial, um jogo que mostra como é que os jogos podem fazer TUDO o que um filme faz, e evoluir essa premissa muito mais longe, através da inter-actividade.

Um destaque para alguns dos momentos mais marcantes do jogo, tentando não revelar nada que os trailers não tenham mostrado, desde a magnífica e emocional chegada a Shadow Moses, a luta entre Metal Gear REX e Metal Gear RAY, o corredor final, e até à épica batalha final com o pôr do sol atrás e um grande ataque de nostalgia causado pelas músicas que passam em background, tudo se conjuga para uma experiência a todos os que jogaram os primeiros títulos.

Para os que nunca jogaram Metal Gear, não comecem no 4, comecem no 1 e descubram a melhor saga de sempre do mundo dos videojogos!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Reflorestação à Portuguesa

Mais uma coisa que me revoltou este fim-de-semana: quando ia a passar numa vila perto de Alcobaça, o Valado-dos-Frades, uma terra muito ligada à agricultura, reparei que faltavam imensas árvores à beira da estrada, parte de um pinhal que faz parte das matas nacionais. O pinhal não está desfeito, pois é enorme, mas revoltou-me sinceramente que numa altura em que tanto se fala da necessidade que há em preservar as florestas, a câmara da Nazaré fique só pelas palavras e mande abater centenas de árvores para ALEGADAMENTE instalar um complexo industrial.

terça-feira, 24 de março de 2009

A 23 minutos de Lisboa?

Quero aqui manifestar a minha solidariedade com todas as pessoas que têm que aguentar as enormes filas de trânsito de Lisboa, e o meu profundo desprezo e vontade de cortar às fatias todos os que passam à frente dessas filas.

Mas não cortemos "etapes": Este fim de semana fui para a minha adorada terrinha; sexta-feira, depois de sair da Focus, arranjei as tralhas e fiz-me ao caminho. Infelizmente, fui um pouco mais tarde do que o normal, e apanhei uma fila enorme.

Uma hora foi o tempo que estive para fazer aquele quilómetro magnífico de entrada da A9 para a A8. Deu para pensar na minha vida e na da população mundial toda, além de barafustar com as pessoas que tentavam a todo o custo furar a fila, numa tentativa de romper com as regras e mostrar a sua inteligência superior a.k.a. barbaridade.

A mensagem deste post não é nada demais, apenas me apeteceu reclamar pelo tempo que perdi. Tempo, que é o que tenho de mais precioso.

Deixo-vos uma bela música sobre uma localidade muito perto da minha que também padece deste problema. É um poema muito bonito dos 2635 Rio de Mouro, uma banda que foi lançada pelos Gato Fedorento no Zé Carlos 4.

Rinchoa, Rinchoa

Uma localidade em Rio de Mouro

Rinchoa, Rinchoa

Merecia ter um miradouro

Para tu contemplares os móteis e os bares

A rotunda de Fitares, Rinchoa

Rinchoa, Rinchoa, Rinchoa

A 23 minutos de Lisboa

Se o IC19 fluir bem

E se não houver bicha no Cacém

Rinchoa, Rinchoa, Rinchoa

A 1h30 de Lisboa

Se o IC19 fluir mal

Ou tenha caido uma ponte pedonal

Rinchoa, Rinchoa

Conjunto de construções feitas à toa

Rinchoa, Rinchoa

Chega a ser mais bela que a Brandoa

É daquelas regiões

à base de barracões

onde abundam camiões

Rinchoa

sexta-feira, 20 de março de 2009

Darth Benedictus, o casto

O Papa Bento XVI, na sua infinita perspicácia e sabedoria, proferiu certas declarações polémicas na viagem que fez a África.

Aparentemente, o Papa teve uma ideia inovadora para travar a propagação da SIDA naquele continente: “A abstinência sexual”! Com efeito, nunca ninguém se tinha lembrado de tal medida, e tenho a certeza que os fieis e não-fieis daquele continente vão rapidamente abdicar dessa reles “forma de diversão” e adoptar o celibato...

Ratzinger disse ainda que o preservativo não impede a propagação da doença, como até contribui para que esta se espalhe mais. Sem dúvida, o ex-membro da Juventude Hitleriana tem conhecimentos que a humanidade desconhece!

Uma atenção para as parecenças entre o actual Papa e o Imperador Darth Sidious do universo Star Wars.

Feijões aos Milhões

Aparentemente, os apanhadores de grão de soja no Brasil gostam de conduzir as ceifeiras desenhando formas curiosas, neste caso a letra V, ou o cinco e numeração romana. A mensagem subliminar deste acto é bastante complexa. Será que os trabalhadores de Tangará da Serra querem vingança? Ou será que querem receber mais de cinco reais por hora? Apesar da mensagem ser transcendental, é sempre interessante contemplar os riscos deixados pelas máquinas na vegetação. De deixar com inveja os OVNIs que desenham nos campos de trigo por esse planeta fora.

*publicado na Focus 491

quinta-feira, 19 de março de 2009

Obrigado Pai!

Não pude deixar de partilhar esta mensagem com os que me lêem:

Fonte: http://yinyang-haibane.blogspot.com/

Sócrates engorda à base de Ts



Há uns dias atrás, o Correio da Manhã noticiava o aumento de oito quilogramas no peso do Primeiro-ministro deste nosso Portugal, José Sócrates. O CM citava fontes próximas de Sócrates para justificar esta informação e indicava como causa o facto do PM ter deixado de fumar.


No entanto, aqui ofereço outra versão, para a explicar, recomendo que leiam o texto de um dos meus humoristas favoritos, Ricardo Araújo Pereira, que o escreve com a audácia e a acutilância de sempre:


«Que dizer do caso Freeport que ainda não tenha sido referido por outros? Eis um problema que não afecta este vosso amigo. Vasco Pulido Valente, Pacheco Pereira e eu temos a mesma sorte: acontece com muita frequência os cronistas que nos precedem falharem o essencial. Entretêm-se com o supérfluo, esmiúçam os aspectos menos importantes dos assuntos e deixam, livre de toda a palha, o núcleo essencial dos problemas à mercê de ser colhido por nós. Foi o que sucedeu com o caso Freeport. Analistas atrás de analistas têm vindo a ignorar o facto central de todo este processo: Sócrates diz Freepor. Este é o primeiro ponto essencial que ninguém referiu. Toda a gente diz Freeport, menos José Sócrates, que diz Freepor. Parece claro, por isso, que Sócrates recusa revelar tudo neste caso, nomeadamente o t final de Freeport, que nunca articula. Parece impossível que um político que tanto se tem batido pelo ensino do inglês não seja capaz de pronunciar correctamente uma palavra inglesa. Portugal assiste, portanto, a dois casos em vez de um: o caso Freeport e o caso Freepor. Este último – que, recordemos, foi denunciado por mim –, acaba por ser mais rico e intrigante do que o primeiro, porquanto junta às suspeitas de corrupção o mistério do desaparecimento de uma consoante. Além disso, entronca num caso antigo, na medida em que recupera as dúvidas que existiam quanto às competências do primeiro-ministro no âmbito do inglês técnico.


O segundo ponto essencial que a imprensa tem esquecido é o motivo. Sócrates tinha ou não uma razão forte e privada para favorecer a construção do Freeport? Não é preciso pensar muito para concluir que sim. A quem interessa um outlet com lojas de roupa de marca mais barata perto de Lisboa? Ao sexto homem mais elegante do mundo, certamente. O Freeport permite-lhe manter a mesma elegância, mas a preços mais baixos. Não sei se o primeiro-ministro cometeu alguma infracção ética ou até algum delito no caso Freeport, mas não deve ser menosprezada a ambição, inerente à condição humana, de ultrapassar o Karl Lagerfeld em garbo.


O terceiro ponto menosprezado pela comunicação social tem a ver com o facto que precipitou a investigação. Ao que parece, o juiz desconfiou do modo como o projecto foi licenciado. De acordo com a descrição do magistrado, tudo se passou de forma impecável, célere e competente. Estava à vista de todos que alguma coisa estava mal. Em Portugal, este costuma ser um bom método para descobrir ilegalidades. Se um projecto é aprovado dentro do prazo, alguém anda a receber dinheiro por fora. Normalmente, quando alguma coisa corre bem, é sinal de que há moscambilha.»


Ricardo Araújo Pereira, Boca do Inferno, Revista Visão


Parece-me claro que a gordura a mais se deve ao facto de Sócrates papar todos aqueles Ts e não a deixar de fumar… Senhor Primeiro-ministro: toda a gente sabe que o Y engorda muito menos!


As Malícias do Mundo

Hoje veio a público que o Padre Vitor Melícias receberá 7450 euros de pensão, uma bagatela considerando os prémios dos gestores do BCP. É de valor discorrer sobre o que vai mal em Portugal, país onde um pobre orientador espiritual é condenado a viver com apenas 16 salários mínimos por mês, abandonando assim um salário que deveria ser já de si muito pequeno.

Devo manifestar o meu apoio aos partidos da oposição quando exigem que o governo controle os prémios dos gestores dos bancos, e exijo ainda que o governo crie também um fundo de beneficência para ajudar o segundo Padre mais famoso de Portugal (o primeiro é o Padre Borga).

Pode Concluir Senhor Padre.
(Aqui documentado numa cerimónia em que honra a vida)